Desejo incomum | Emerson Silva

em 03 julho 2021

    Olá meu povo, como estamos? Hoje temos resenha de Desejo incomum, um conto "brazuca", escrito por Emerson Silva. 

Desejo incomum | Emerson Silva
Foto: Hanna Carolina/Mundinho da Hanna



Livro cedido em parceria com a editora Crônicas Fantásticas

33/24

Livro: Desejo incomum 

Autor: Emerson Silva

Editora: Confraria Crônicas Fantásticas 

Ano: 2021

Páginas: 131


Qual pode ser o sonho de alguém que nunca teve tempo para si mesmo e apenas viveu para atender os desejos de outras pessoas? Esse é o dilema que Elena, uma figura mística que tem o poder de conceder desejos, deve enfrentar após receber a visita de uma mulher misteriosa. A jovem então acaba embarcando em uma jornada de autoconhecimento, onde irá enfrentar perigos de sua própria mente.




Desejo incomum | Emerson Silva


   Esse conto faz parte das Crônicas de Astherum, que se passam num universo de fantasia raiz, com elfos, fadas, anões e muita magia. 
   No meio desses personagens icônicos, temos Elena, uma filha da magia. Ela é uma feiticeira de poderes incríveis, mas que vive na zona portuária de Andamar. 
    Assim como todas as filhas da magia, Elena ganha a vida realizando desejos de mortais, enquanto vive em um navio. 
    Era apenas mais um dia de trabalho, até que apareceu uma cliente inusitada, que não queria um desejo em si, mas que fosse realizado pela própria Elena. A moça, que só vivia para conceder os desejos dos outros, agora tem a oportunidade de realizar o seu. Será que ela sabe o que é sonhar com algo? 


   Os contos do Emerson tem esse toque de magia, que encantam o leitor e faz viajar por imensos mundos de fantasia. 
   E, como sua marca registrada que não poderia faltar, temos uma protagonista feminina para viver tais aventuras. 
   Elena é uma dita filha da magia. Como a magia é proibida em Andamar, filhas da magia, também chamadas de Ashita,  são as poucas que podem usufruir desse dom. Então as pessoas procuram por elas para realizar desejos profundos, dos mais diversos tipos. 
   Elena chama atenção por ter uma pele vermelha, literalmente, tatuagens por todo o corpo e olhos muito azuis. É impossível passar despercebida na rua. 
   E, por onde passa, atrai vários camponeses, que não tem mais a quem recorrer para resolver casos impossíveis de suas vidas. 

"[...] a magia atende por meios diferentes dos convencionais [...]." 

   Se fosse apenas isso, talvez Elena levasse a vida com mais tranquilidade, escolhendo a quem concederia desejos ou não. Mas Orfeu não perde a oportunidade de explorar o dom da moça, que a faz viver em um navio, indo para onde ele quer e servindo a quem pague mais. 
   Elena está cansada, mas obedece fielmente seu mestre, até o dia em que surge uma cliente misteriosa. 
   Niniane, a cliente que aprece do nada, é uma mulher que está mais interessada em oferecer desejos do que pedir. 
  Num primeiro momento, Elena fica assustada e até incomodada com isso, mas acaba aceitando o desafio e deixa que Niniane lhe conceda algo. 
  Mas Elena passou tanto tempo apenas realizando coisas, que não tinha tempo para pensar no que realmente queria. 
  Pensar e ver se realizando pode ser uma aventura e tanto, de surpresas, conhecimento e até testes de limites, o que ela vai precisar de muita coragem para seguir adiante. 


"Como poderia saber o que queria, quando dedicara toda a atenção para os outros?"


  Narrado em terceira pessoa, o autor mantém a escrita fluida que vi em contos anteriores. Mas algo que também é sua marca e me incomoda bastante, é a descrição super detalhada de várias cenas, que poderiam ter terminado mais rápido e economizado páginas. 
  Aqui, ao contrário de cenas com mais "tiro, porrada e bomba", temos uma jornada mais dramática e até mais lenta. 
  Elena é praticamente a galinha dos ovos de ouro de Orfeu, trabalhando para ele desde que se entende por gente. 
  Ter a oportunidade de pensar e agir por si própria jamais lhe passaria pela cabeça, se não fosse por Nininane, a personagem mais misteriosa que ela já viu. 
  Quando ela aceita que Niniane lhe conceda essa oportunidade, Elena fica como uma criança com um brinquedo novo, que não sabe muito bem o que fazer. 
  Apesar de achar que ela enrolava demais, não a julgo. Acho que se eu também vivesse a vida inteira apenas obedecendo ordens dos outros e de repente tivesse a chance de pensar por mim, talvez eu também ficasse perdida num primeiro momento. 
  Niniane, por sua vez, poderia ser a segunda protagonista desse conto, já que ela parece ser importante nessa descoberta de Elena e, juntas, elas são mais fortes do que sozinhas. 
  Com uma escrita fluida e em poucos capítulos, vamos acompanhando a jornada de Elena rumo a essa escolha e suas consequências. 
  Eu gostei, por ter uma proposta diferente dessa vez, mais lenta de propósito e mais focada em autoconhecimento do que em aventuras em si. 


"Mesmo que não soubesse o que desejava, tinha plena convicção do que não lhe atraía."


  Mas, como nem tudo são flores e eu preciso falar o que me incomoda, devo dizer que esse não foi um dos melhores contos do Emerson. 
  Ao contrário dos outros, aqui eu senti falta daquele começo, meio e fim, que tinha visto anteriormente. 
  O final já era de se esperar que fosse aberto, que foi até satisfatório. Porém, senti falta de algumas explicações, para amarrar umas pontas importantes até. 
  Senti falta também de uma explicação sobre a Niniane. Ela era uma personagem bem importante ao meu ver, mas entrou e saiu de cena com um mero "puf!", e fiquei sentindo falta de respostas. 
  Não apenas dela, mas de outros personagens e elementos importantes, que ficaram perdidos no meio do caminho e senti falta de algumas explicações também. 
  Ao contrário dos outros contos, aqui senti falta de uma revisão, já que passaram vários errinhos de digitação. 
  Nada que atrapalhe a leitura, mas chama atenção, visto que os outros contos tiveram uma revisão mais atenciosa. 
  Com relação à capa, achei uma das bonitas desse mês. Mostrando bem a Elena e seu dom. Além disso, a fonte é bem legível e a edição muito bonita. 
   Resumindo, o conto foi uma boa leitura, mas não alcançou minhas expectativas, e acabou ficando quatro estrelinhas no final. 
  
 




   E essa foi a resenha de hoje. O que acharam? 





24 comentários:

  1. A falta de explicações em alguns livros também me incomodam e entendo a sensação, mas que bom que, de um modo geral, foi uma boa experiência.

    Bjs

    Imersão Literária

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    1. Sim Leyanne, apesar dos pesares, foi uma boa experiência essa leitura sim.

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  2. oIE hANNA!

    Realmente alguns desfechos também em deixam com essa sensação quando percebo que algumas coisas faltaram e confesso que muitos detalhes me deixam incomodada também rs
    Mas se a escrita foi fluida, ajuda bastante né?

    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  3. Oi, Hanna. Tudo bem? Que bom que tenha gostado desre conto como um rodo, pois parece ser bom. Adorei sua resenha. Abraço!


    http://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  4. Olá, Hanna.
    Eu sou dessas que gosta de tudo explicadinho, talvez por isso não venha a apreciar esse conto. E é uma pena que não alcançou suas expectativas. Talvez o autor ainda venha a escrever mais alguma história com elas e essas explicações venham.

    Prefácio

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  5. Oi Hanna, tudo bem?

    Um conto com pequenos problemas no desenvolvimento é meio complicado, não é mesmo? Fico bastante incomodada quando finalizo a leitura e fico sentindo que faltou alguma coisa, mas feliz que apesar de suas ressalvas, no todo você curtiu a história.

    Beijos;***
    Ariane Gisele Reis | Blog My Dear Library.

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    1. Pois é, no final das contas, foi uma boa leitura, só gostaria das minhas respostas... rs

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  6. Oi Hanna! Eu gosto de tudo bem explicado e nada de final aberto. Que pena que suas expectativas não tenham sido atingidas, quem sabe na próxima o autor traga algo que as atinja. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  7. Oi Hanna
    Gosto muito de contos, pena que esse não alcançou as suas expectativas, mas acontece, né?
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa | Instagram | Facebook | Twitter

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  8. Oi!
    Gosto da proposta de personagens que concedem desejos, mesmo que não seja de origem djinn e fiquei bem curiosa com essa proposta das Crônicas de Astherum.

    Beijão
    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  9. Meu Deus!!! Elfos, fadas e magia????? É comigo mesmo! AMO esse universo fantástico de fadas e elfos, já vou tomar nota da dica!
    beijinhos,
    www.cafecommands.com

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  10. Oi, Hana. Tudo bem?
    Depende muito de como eu interpreto o conto e da minha vibe para gostar de conto aberto ou tudo explicadinho, mas parece que no fim até foi uma boa experiência, né?
    Gostei de conhecer mais um conto.

    Beijos, Vanessa
    Leia Pop

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    1. Concordo Vanessa, depende muito da nossa vibe para a leitura naquele momento. Mas sim, no final, foi uma boa experiência sim.

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  11. Adorei a resenha, parece ser um bom conto, apesar dos detalhes. super leria
    beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

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  12. Oi Hanna,

    Que bom que no geral foi uma boa leitura apesar das ressalvas.
    Eu não li nada do autor, mas tenho curiosidade.

    Bjs
    https://diariodoslivrosblog.blogspot.com/

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    1. Sim, foi uma boa leitura no fim das contas. Recomendo os contos do autor, tem vários outros aqui no blog, inclusive, confere lá depois? ;)

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Muito obrigada pela visita e seja sempre bem vindo ao Mundinho da Hanna.
Ficarei imensamente feliz com seu comentário, desde que:
- Não contenha palavras de baixo calão;
- Não seja span.
Os comentários costumam ser respondidos nos finais de semana. =)
Bjks!

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