26 janeiro 2015

Resenha do livro: O Doador de Memórias

Olá pessoal! Então, lá vamos nós para o primeiro livro do Desafio Literário Skoob 2015! =)





Livro: O Doador de Memórias

Autora: Lois Lowry

Editora: Arqueiro

Ano: 2014 (Original em 1993)

   






   Como seria viver em um mundo onde tudo o que pregamos hoje fosse real: sem guerra, sem discriminação, sem intolerância religiosa, sem inveja, sem ódio ou rancor? A princípio, seria um mundo ideal, onde todos seriam finalmente iguais, não apenas como está escrito no Código Civil, mas de verdade, onde ninguém se mataria por raça, religião nem ganância, por exemplo, e se tratariam como iguais. Mas como tudo tem um preço, como seria se, para desistir dessas coisas ruins do mundo, você também optasse por esquecer radicalmente de tudo, inclusive das coisas boas? Ainda assim o mundo seria perfeito, sem amor, sem amizade, sem escolhas?
   É assim que a Humanidade vive num futuro distante, disposta em comunidades, onde todos falam o mesmo idioma, todos vivem a mesma rotina todos os dias, todos vivem sem distinção de ricos ou pobres, todos são iguais. Até aí, tudo ótimo, pois não tem motivos para brigas. Mas não sei se aguentaria viver num mundo onde não teria minha liberdade de expressão, sem meu livre arbítrio e tudo tivesse que seguir regras e fazer pedidos a uma cúpula de anciãos, que sabiam sempre o que seria melhor para mim, inclusive com que eu deveria trabalhar e com quem deveria me casar. Nesse mundo ideal você não namora, apenas faz um requerimento para um cônjuge; você não tem filhos de modo natural, você faz um requerimento e recebe uma criança, já com nome, que nasceu de uma mãe biológica, que vive num hospital apenas para parir durante três anos e depois essa mãe vira uma operária o resto da vida. Nessa comunidade, ser mãe nunca é uma dádiva, muito menos padecer num paraíso, pois ela nunca pode criar seus filhos e vive como uma verdadeira “fábrica de bebês.” Além disso, essas “atribuições” não são bem vistas pela sociedade, pois apenas as mulheres que não tem talento pra nada são escolhidas para mães biológicas.
   Nesse mundo ideal, não existem feriados, Natal, família, viagens, muito menos música... Quem nesse mundo consegue viver sem música?! Me falem! Viver num silêncio profundo, pois os instrumentos não existem mais e, com eles, foram embora TODOS os sentimentos: amor, alegria, amizade, compaixão... Então num mundo sem ódio ou rancor, também foi preciso abrir mão dos sentimentos bons, os que são chamados de atiçamentos, e são bloqueados por umas pílulas, que devem ser tomadas por todos os cidadãos pela manhã.
   Tudo corria muito bem para a sociedade e para Jonas, um Onze, prestes a participar da sua cerimônia de Doze e receber sua atribuição (sim, os cidadãos não fazem aniversário; eles participam de um cerimônia coletiva todo mês de dezembro, onde saem de um algarismo e vão para outro, até que chegam ao grupo dos Doze, onde recebem suas atribuições e não contam mais idade, deve ser mega esquisito, não acham?). Jonas estava ansioso, pois todos os seus amigos imaginavam o que seriam escolhidos para fazer, aliás, ao contrário do filme, Asher não é um piloto de drone e, sim, um recreador dos Seis, e Fiona não é uma Criadora e, sim, uma Cuidadora de Idosos. Bom, mas voltando ao livro, Jonas, o número 19, ao contrário do 52 dito no filme =p, de fato recebe sua atribuição depois de todos, morrendo de vergonha, mas é escolhido como o Recebedor, uma pessoa que seria responsável por possuir todas as memórias de todas as gerações antes de um programa chamado Mesmice, onde todos se viam e viam o mundo em tons de cinza, e teriam todas essas igualdades que já foram mencionadas acima. Além disso, Jonas era a nova esperança das memórias ficarem seguras, pois a última tentativa, com uma menina cujo nome não deveria jamais ser mencionado, solicitou sua dispensa ao não conseguir lidar com más lembranças. Mal sabia Jonas que essa Recebedora anterior era Rosemary, a filha do Doador...
   Apesar de Recebedor ser uma atribuição muito importante para a comunidade, Jonas estava morrendo de medo, principalmente ao ler as regras das suas novas atividades, entre elas, a que nunca deveria solicitar dispensa, poderia mentir e nunca deveria comentar dos seus treinamentos com ninguém. Apesar do medo, Jonas foi ao encontro do chamado Doador de Memórias, o cara que mostrou como o mundo era antes do Mesmice, lhe mostrou que era possível ter opiniões além das regras e, principalmente, lhe fez voltar a ter algo que a Humanidade perdeu há muito tempo: força, coragem e livre arbítrio. Depois de ver todas as memórias que recebia, sentir emoções boas e aprender a lidar com sentimentos ruins, como a dor da perda e fazer parte de uma guerra, Jonas começou a ver o mundo com outros olhos e ficou triste e revoltado, pois nunca poderia compartilhar essas memórias com ninguém, muito menos poderia viver nesse mundo de verdade, pois ele não existia mais e seus amigos jamais entenderiam esses pensamentos, já que foram criados e “programados” para viver nessa sociedade igualitária até de mais. Sua revolta aumentou mais ainda quando, pela primeira vez, ele vê o que realmente é uma cerimônia de dispensa, que antes todos pensavam ser uma bela homenagem de sua vida, com uma tranquila e bela viagem a um lugar chamado Alhures, onde todos viveriam bem. Essa cerimônia de dispensa, quando feita a um idoso, era uma honra imensa, mas quando se destinava a quem infringia as regras ou a crianças, já era mau sinal, pois ou a criança não foi bem adaptada à sociedade, ou o adulto que solicitou a dispensa não queria mais conviver com os demais e era errado. Mas ainda assim todos viajavam para Alhures, como Jonas pensava. Até o dia em que ele viu uma dispensa de um bebê, cujo irmão gêmeo pesava diferente. A revolta de Jonas foi maior por ter sido seu pai, um Criador tão bem conceituado, a ter feito a cerimônia, onde ele dava uma injeção letal no bebê, colocava ele numa caixa e dispensava por uma janela. Após ver memórias de assassinatos e guerras, Jonas entendeu que aquilo não era uma dispensa honrosa, muito pelo contrário, era um assassinato frio e, pior, seu pai não tinha a menor noção do que era um assassinato, pois foi treinado para pensar que aquilo só o fazia dormir e nada mais. Ao ver aquilo, Jonas percebeu que as coisas ruins não tinham sido eliminadas da sociedade, apenas havia ganhado um novo nome e era agora bem vistas por todos. Daí Jonas decide fugir e levar consigo Gabriel, um bebê que estava em sua casa já há algum tempo, tentando se adaptar à sociedade e, como chorava de mais à noite, pois dar carinho era proibido, ele seria dispensado na manhã seguinte. O que no filme foi uma cena de muita ação e suspense, no livro foi a parte mais triste, pois contava em detalhes o quanto de esforço o pobre Jonas teve que fazer, passando as lembranças para o bebê de lugares quentinhos e cenas de amor e carinho em família. 
   Bom, como esse livro teve uma adaptação para o filme ano passado, fiz questão de, antes de fazer esta resenha, assistir o tão falado filme de ficção científica com Taylor Swift. Confesso que, pela primeira vez em minha vida, gostei mais do filme do que do livro.            Lógico que o filme nunca será igual ao livro e que deve chamar a atenção dos espectadores com efeitos especiais e tal, mas dessa vez, pelo menos eles colocaram um pouco mais de ação do que de fato tem no livro. Devo dizer que o livro conta uma versão mais melancólica da história, com um final um tanto indefinido, onde você é livre para pensar o que quiser que tenha acontecido com Jonas e ao pequeno Gabriel, ao contrário do “final esperançoso” que teve o filme, onde eles encontram uma casa saindo fumacinha da chaminé. Mas, independente de como foram feitas as cenas ou de como foi escrito, essa história nos faz pensar em como o mundo seria num futuro, com uma sociedade igualitária de verdade. Para que isso aconteça, será que devemos mesmo desistir de tudo?    Será que para viver em paz e sem sofrimento, também devo desistir do amor, pois ele traz o sofrimento consigo?  Será que devo desistir do meu livre arbítrio, pois ele também me traz sofrimento? O que de fato nos faz iguais, um programa chamado Mesmice, pois não fomos capazes nunca de lidar com nossos sentimentos mais profundos em prol da boa convivência? Será que, se apenas começarmos a ver o mundo com mais compaixão e respeito, não teríamos o mesmo efeito? Um mundo sem música, um mundo sem outros animais, um mundo totalmente igual, seria tão perfeito assim? Eu não acho que um mundo perfeito seria um mundo tão feliz assim... 
   E vocês, o que acham?


6 comentários :

  1. Acho que o pior é viver sem amor...

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    1. Acho que fica ruim sem amor, sem música, sem liberdade... Assim parece até que somos robôs...

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  2. Vi bastante gente que não gostou tanto desse livro e/ou preferiu o filme. Eu já li o livro duas vezes e adorei da primeira, mas na segunda me decepcionei levemente. Ele traz muitas reflexões interessantes, mas com tanta distopia fazendo sucesso, acho que ele não apresenta mais tanta novidade e tem um estilo mais parado e sutil que não agrada a todos.

    Uma observação sobre sua resenha: como você contou o enredo inteiro do livro, seria bom se avisasse que a resenha contém spoilers. Eu não me importo tanto com isso e já li esse livro, mas tem muita gente que não gosta.

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    1. Obrigada Lígia! Eu tb não me importo mt em ler spoilers, mas como foi bem observado, mta gente não curte. Obrigada pela crítica e já me atentarei a isso nas próximas postagens.
      Bjs!

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  3. Oii adorei o seu blog!!!
    Abraços!
    http://umalbumpanoramico.blogspot.com.br/

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Muito obrigada pela sua visita! Você é sempre bem vindo(a) aqui no Mundinho! =)
Agora, para finalizar sua passagem pelo meu cantinho, que tal deixar um comentário? Garanto que não vai demorar! ;)
Bjks!